segunda-feira, 5 de junho de 2017

AUDIÇÃO



O número de casos de surdez em crianças nascidas é elevado: cerca de 2 crianças para cada 1.000 crianças normais que nascem.
            Porém, o diagnóstico precoce pode evitar transtornos de linguagem e pode permitir um melhor desenvolvimento destas crianças.
            Portanto, a triagem auditiva deve ser realizada antes dos 3 meses de vida, de preferência na maternidade, para que seja feito um atendimento adequado até os 6 meses de idade.
            Existem dois testes que podem ser realizados:
-emissões otoacústicas (EOA): é mais rápido e não precisa que a criança colabore com o exame, apesar de haver uma pequena chance de não mostrar alteração em alguns casos.
-potencial auditivo do tronco encefálico (BERA): necessita de equipe treinada, é mais caro e a criança normalmente precisa de sedação que ele possa ser realizado.
            Existem algumas crianças recém-nascidas que são consideradas de alto risco para perda auditiva: crianças com história de surdez congênita na família, infecções congênitas (toxoplasmose, rubéola, citomegalovirose e sífilis durante a gestação), meningite, convulsões, hemorragia intracraniana, prematuros e síndromes genéticas.
            Caso haja alguma alteração no teste de triagem, a criança deverá ter um acompanhamento médico e fonoaudiológico para a confirmação e seguimento.

 
Dra. Fernanda Formagio de Godoy Miguel
Pediatra pela SBP

CRM:104.671

terça-feira, 16 de maio de 2017

Cuidados Paliativos


O alívio do sofrimento, a compaixão pelo doente e seus familiares, o controle impecável dos sintomas e da dor, a busca pela autonomia e pela manutenção de uma vida ativa enquanto ela durar: esses são alguns dos princípios dos Cuidados Paliativos que, finalmente, começam a ser reconhecidos em todas as esferas da sociedade brasileira.

Os Cuidados Paliativos foram definidos pela Organização Mundial de Saúde em 2002 como uma abordagem ou tratamento que melhora a qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças que ameacem a continuidade da vida. Para tanto, é necessário avaliar e controlar de forma impecável não somente a dor, mas, todos os sintomas de natureza física, social, emocional e espiritual.
O tratamento em Cuidados Paliativos deve reunir as habilidades de uma equipe multiprofissional para ajudar o paciente a adaptar-se às mudanças de vida impostas pela doença, e promover a reflexão necessária para o enfrentamento desta condição de ameaça à vida para pacientes e familiares. 
Para este trabalho ser realizado é necessário uma equipe mínima, composta por: um médico, uma en­fermeira, uma psicóloga, uma assistente social e pelo menos um profissional da área da reabilitação (a ser definido conforme a necessidade do paciente). Todos devidamente treinados na filosofia e prática da paliação.

A Organização Mundial de Saúde desenhou um modelo de intervenção em Cuidados Paliativos onde as ações paliativas têm início já no momento do diagnóstico e o cuidado paliativo se desenvolve de forma conjunta com as terapêuticas capazes de modificar o curso da doença. A paliação ganha expressão e importância para o doente à medida que o tratamento modificador da doença (em busca da cura) perde sua efetividade. Na fase final da vida, os Cuidados Paliativos são imperiosos e perduram no período do luto, de forma individualizada.

As ações incluem medidas terapêuticas para o controle dos sintomas físicos, intervenções psicoterapêuticas e apoio espiritual ao paciente do diagnóstico ao óbito. Para os familiares, as ações se dividem entre apoio social e espiritual e intervenções psicoterapêuticas do diagnóstico ao período do luto. Um programa adequado inclui ainda medidas de sustentação espiritual e de psicoterapia para os profissionais da equipe, além de educação continuada.
A condição ideal para o desenvolvimento de um atendimento satisfatório deve compreender uma rede de ações composta por consultas ambulatoriais, assistência domiciliar e internação em unidade de média complexidade, destinada ao controle de ocorrências clínicas e aos cuidados de final de vida. 

Informações sobre a definição de Cuidados Paliativos pela Organização Mundial da Saúde estão no link: http://tinyurl.com/5228js


História dos Cuidados Paliativos
Alguns historiadores apontam que a filosofia paliativista começou na antiguidade, com as primeiras definições sobre o cuidar. Na Idade Média, durante as Cruzadas, era comum achar hospices (hospedarias, em português) em monastérios, que abrigavam não somente os doentes e moribundos, mas também os famintos, mulheres em trabalho de parto, pobres, órfãos e leprosos. Esta forma de hospitalidade tinha como característica o acolhimento, a proteção, o alívio do sofrimento, mais do que a busca pela cura.
No século XVII, um jovem padre francês chamado São Vicente de Paula fundou a Ordem das Irmãs da Caridade em Paris e abriu várias casas para órfãos, pobres, doentes e moribundos. Em 1900, cindo das Irmãs da Caridade, irlandesas, fundaram o St. Josephs´s Convent, em Londres, e começaram a visitar os doentes em suas casas. Em 1902, elas abriram o St. Joseph´s Hospice com 30 camas para moribundos pobres.


Cicely Saunders e os Cuidados Paliativos modernos
Cicely Saunders nasceu em 22 de junho de 1918, na Inglaterra, e dedicou sua vida ao alívio do sofrimento humano. Ela graduou-se como enfermeira, depois como assistente social e como médica.  Escreveu muitos artigos e livros que até hoje servem de inspiração e guia para paliativistas no mundo todo. 
Em 1967, ela fundou o St. Christopher´s Hospice, o primeiro serviço a oferecer cuidado integral ao paciente, desde o controle de sintomas, alívio da dor e do sofrimento psicológico.  Até hoje, o St. Christopher´s é reconhecido como um dos principais serviços no mundo em Cuidados Paliativos e Medicina Paliativa.
Cicely Saunders conseguiu entender o problema do atendimento que era oferecido em hospitais para pacientes terminais. Até hoje, famílias e pacientes ouvem de médicos e profissionais de saúde a frase “não há mais nada a fazer”.  A médica inglesa sempre refutava: “ainda há muito a fazer”.  Ela faleceu em 2005, em paz, sendo cuidada no St. Christopher´s.


Cuidados Paliativos no Brasil

O movimento paliativista tem crescido enormemente, neste início de século, no mundo todo. Na Inglaterra, em 2005, havia 1.700 hospices, com 220 unidades de internação para adultos, 33 unidades pediátricas e 358 serviços de atendimento domiciliar. Estes serviços todos ajudaram cerca de 250 mil pacientes entre 2003 e 2004. Na Inglaterra, pacientes têm acesso gratuito a Cuidados Paliativos, cujos serviços são custeados pelo governo ou por doações. A medicina paliativa é reconhecida como especialidade médica.
Nos Estados Unidos, o movimento cresceu de um grupo de voluntários que se dedicava a pacientes que morriam isolados para uma parte importante do sistema de saúde. Em 2005, mais de 1,2 milhão de pessoas e suas famílias receberam tratamento paliativo. Nesse país, a medicina paliativa é uma especialidade médica reconhecida também.
No Brasil, iniciativas isoladas e discussões a respeito dos Cuidados Paliativos são encontradas desde os anos 70. Contudo, foi nos anos 90 que começaram a aparecer os primeiros serviços organizados, ainda de forma experimental. Vale ressaltar o pioneirismo do Prof. Marco Túlio de Assis Figueiredo, que abriu os primeiros cursos e atendimentos com filosofia paliativista na Escola Paulista de Medicina – UNIFESP/EPM. Outro serviço importante e pioneiro no Brasil é o do Instituto Nacional do Câncer – INCA, do Ministério da Saúde, que inaugurou em 1998 o hospital Unidade IV, exclusivamente dedicado aos Cuidados Paliativos. Contudo, atendimentos a pacientes fora da possibilidade de cura acontecem desde 1986. Em dezembro de 2002, o Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo – HSPE/SP inaugurou sua enfermaria de Cuidados Paliativos, comandada pela Dra. Maria Goretti Sales Maciel. O programa, no entanto, existe desde 2000. Em São Paulo, outro serviço pioneiro é do Hospital do Servidor Público Municipal, comandado pela Dra. Dalva Yukie Matsumoto, que foi inaugurado em junho de 2004, com início do projeto em 2001.
A primeira tentativa de congregação dos paliativistas aconteceu com a fundação da Associação Brasileira de Cuidados Paliativos – ABCP pela psicóloga Ana Geórgia de Melo, em 1997. 
Contudo, com a fundação da Academia Nacional de Cuidados Paliativos, em 2005, os Cuidados Paliativos no Brasil deram um salto institucional enorme. Com a ANCP, avançou a regularização profissional do paliativista brasileiro, estabeleceu-se critérios de qualidade para os serviços de Cuidados Paliativos, realizou-se definições precisas do que é e o que não é Cuidados Paliativos e levou-se a discussão para o Ministério da Saúde, Ministério da Educação, Conselho Federal de Medicina - CFM e Associação Médica Brasileira – AMB. Participando ativamente da Câmera Técnica sobre Terminalidade da Vida e Cuidados Paliativos do CFM, a ANCP ajudou a elaborar duas resoluções importantes que regulam a atividade médica relacionada a esta prática. 
 Em 2009, pela primeira vez na história da medicina no Brasil, o Conselho Federal de Medicina incluiu, em seu novo Código de ética Médica, os Cuidados Paliativos como princípio fundamental. A ANCP luta pela regularização da Medicina Paliativa como área de atuação médica junto à Associação Médica Brasileira e a universalização dos serviços de Cuidados Paliativos no Ministério da Saúde.


Cenário atual no Brasil
No Brasil, as atividades relacionadas a Cuidados Paliativos ainda precisam ser regularizadas na forma de lei. Ainda imperam no Brasil um enorme desconhecimento e muito preconceito relacionado aos Cuidados Paliativos, principalmente entre os médicos, profissionais de saúde, gestores hospitalares e poder judiciário. Ainda se confunde atendimento paliativo com eutanásia e há um enorme preconceito com relação ao uso de opióides, como a morfina, para o alívio da dor. 
Ainda são poucos os serviços de Cuidados Paliativos no Brasil. Menor ainda é o número daqueles que oferecem atenção baseada em critérios científicos e de qualidade.  A grande maioria dos serviços ainda requer a implantação de modelos padronizados de atendimento que garantam a eficácia e a qualidade. 
Há uma lacuna na formação de médicos e profissionais de saúde em Cuidados Paliativos, essencial para o atendimento adequado, devido à ausência de residência médica e a pouca oferta de cursos de especialização e de pós-graduação de qualidade. Ainda hoje, no Brasil, a graduação em medicina não ensina ao médico como lidar com o paciente em fase terminal, como reconhecer os sintomas e como administrar esta situação de maneira humanizada e ativa.
A ANCP prevê que, nos próximos anos, essa situação deverá mudar rapidamente. Com a regularização profissional, promulgação de leis, quebra de resistências e maior exposição na mídia (como na atual novela da TV Globo, Viver a Vida), haverá uma demanda por serviços de Cuidados Paliativos e por profissionais especializados. A ANCP e seus parceiros lutam para que isso de fato se torne realidade. A regularização legal e das profissões, por exemplo, permitirá que os planos de saúde incluam Cuidados Paliativos em suas coberturas. Está provado que Cuidados Paliativos diminuem os custos dos serviços de saúde e trazem enormes benefícios aos pacientes e seus familiares.
A conscientização da população brasileira sobre os Cuidados Paliativos é essencial para que o sistema de saúde brasileiro mude sua abordagem aos pacientes portadores de doenças que ameaçam a continuidade de suas vidas. Cuidados Paliativos são uma necessidade de saúde pública. São uma necessidade humanitária.
FONTE: ANCP 

Dra Flávia Renata Topciu – CRM 121.925
Geriatra pela Sociedade Brasileira de Geriatria de Gerontologia

Especialista em Cuidados Paliativos pela Associação Médica Brasileira

quarta-feira, 3 de maio de 2017

VACINAÇÃO E CALENDÁRIO VACINAL



Hoje em dia temos vacinas contra vários tipos de vírus e bactérias, causadores de doenças.
Primeiramente, o que significa vacinar uma criança? A vacina contém pequenas partículas destes vírus ou bactérias, que entram em contato com o organismo da criança, fazendo com que o sistema imunológico fabrique células de defesa para combater estes “vilões”. Isto ocorre mesmo após anos da aplicação da vacina.
Porém, não significa que a criança que recebeu a vacina contra uma doença, nunca irá ter esta doença. Então, por que vacinar? Porque haverá proteção contra as formas mais graves das doenças. Por exemplo: uma criança que recebeu a vacina contra a catapora (varicela), poderá ter a doença, porém com menor número de lesões, menor tempo de duração e menos risco de uma complicação grave que poderia até levar à morte.
Quando a vacina não pode ser aplicada? De forma geral quando há reação alérgica grave à vacina (já ocorrida em aplicação anterior), febre alta de causa desconhecida (deve-se primeiro descobrir a causa da febre para só depois receber a vacina) e doenças graves atuais. Febre por gripes e doenças benignas, anemia e diarreia,  não impedem a aplicação.
E de forma geral também, febre, dor no local, irritação e amolecimento das fezes são os efeitos colaterais mais comuns. Porém em grande parte das crianças estes sintomas nem chegam a aparecer.
As Unidades Básicas de Saúde (UBS) oferecem as vacinas que fazem parte do Calendário Vacinal do Ministério da Saúde gratuitamente. Algumas vacinas somente são encontradas em Clínicas e Hospitais particulares. Em casos especiais, como crianças imunodeprimidas (com anemia falciforme, AIDS, doenças cardíacas graves) e surtos, o esquema vacinal é diferenciado.
O calendário vacinal é o esquema de recomedação de quais vacinas devem ser administradas e quando devem ser administradas na criança e no adulto.
De forma geral, no Brasil as orientações são provenientes do Ministério da Saúde e das Sociedades de Infectologia, Imunização e Peiatria brasileiras.
Há orientações específicas para alguns grupos como prematuros, imunodeprimidos, portadores de doenças crônicas e outros.  Mas o calendário vacinal nos mostra o esquema básico para a população geral, como o abaixo, orientado pela Sociedade Brasileira de Imunizações.
No início deste ano, o Ministério da Saúde está realizando algumas modificações neste calendário, como:  vacina tetra viral: acrescentado a vacina de varicela à tríplice viral para as crianças = sarampo, rubéola e caxumba + varicela;  acréscimo da vacina meningocócica C para crianças e adolescentes;  vacina tríplice viral para adultos;  HPV para meninos.
As vacinas são:
- BCG ID: contra a tuberculose;
- Hepatite B: contra o vírus causador da hepatite do tipo B;
- DPT: chamada tríplice bacteriana, contra difteria, tétano e pertussis (coqueluche);
- Haemophilus influenzae b:: contra a bactéria Haemophilus influenzae tipo B, responsável por infecções como pneumonia, meningites, etc.;
- Poliomielite: causadora da paralisia infantil;
- Rotavírus: contra o vírus causador de doença diarréica;
- Pneumocócica: contra a bactéria causadora de infecções como pneumonia, meningites, etc.;
- Meningocócicas B e C: contra a bactéria causadora de um tipo específico de meningites;
- Influenza: contra o vírus da gripe;
- Febre amarela : contra o vírus causador da febre amarela;
- Hepatite A : contra o vírus causador da hepatite do tipo A;
- Tríplice viral/ tetra viral: contra sarampo, caxumba e rubéola / + varicela (catapora);
- HPV: contra o papiloma vírus humano, que atinge pele e mucosas;
- dT : dupla  adulto, contra difteria e tétano; a dTpa contém o componente pertussis (coqueluche) acelular;
- Dengue: contra o vírus da dengue.



Calendário Vacinal pela Sociedade Brasileira de Imunizações 2016/2017:


Dra. Fernanda F. G. Miguel
Pediatra pela SBP
CRM 104.671 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Vacinação contra Gripe 2017




É imprescindível falar sobre esse assunto todos os anos, mesmo que considerado corriqueiro, mas que ainda gera ansiedade, dúvida e medo.
Este ano a Campanha de Vacinação Nacional contra a Gripe conta com um diferencial, que é a  inclusão dos professores da rede pública e privada como parte do público alvo, com direito a receber a imunização gratuitamente no SUS. A campanha vai até 26 de maio e o dia de mobilização nacional está marcado para o dia 13.
Em 2016, houve aumento do número de casos,  com 12.174 casos confirmados de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) por influenza no país. A SRAG é uma complicação da gripe. Houve ainda 2.220 mortes, número alto em comparação a anos anteriores. Do total de óbitos, a maioria (1.982) foi por influenza A/H1N1. Este foi o maior número de mortes por H1N1 desde a pandemia de 2009, quando 2.060 pessoas morreram em decorrência do vírus no Brasil.
Em 2017, já foram registrados 276 casos e 48 mortes no país.

Uma questão de extrema importância e que deve ser levada em consideração é em relação à vacinação de uma faixa etária um pouco mais ampla. Os chamados adultos jovens (entre 40 e 50 anos) com doenças crônicas vêm sendo os mais atingidos pela doença. Seja por falta de informação ou por qualquer outro motivo, indivíduos portadores de doenças como HIV, diabetes, lúpus, cardiopatias, obesidade mórbida e problemas pulmonares, acabam não sabendo que devem se vacinar e ficam expostos. 
Prevenção
Antes mesmo de os sintomas aparecerem, os indivíduos contaminados já estão transmitindo os vírus. Tosse e espirro são formas eficazes de o vírus se propagar, pois nesses momentos partículas que contêm o vírus podem percorrer cinco metros de distância a uma velocidade de 150km por hora. Porém, a transmissão também pode se dar simplesmente ao falar perto de uma pessoa, de uma distância de até 2 metros. Atenção: máscaras comuns não barram as micropartículas.
Portanto, além da imunização (redes privadas estão cobrando cerca de R$170 a dose), é de extrema importância lavar frequentemente as mãos, utilizar lenços e colocar a mão na boca ao tossir e espirrar. Procure assistência médica ao perceber os primeiros sinais de febre alta, acima de 38º, 39º (tenha sempre um termômetro em casa), dor muscular, de cabeça, de garganta ou nas articulações.

A gripe H1N1, ou influenza A, é provocada pelo vírus H1N1, um subtipo do influenza vírus do tipo A. Ele é resultado da combinação de segmentos genéticos do vírus humano da gripe, do vírus da gripe aviária e do vírus da gripe suína, que infectaram porcos simultaneamente.
O período de incubação varia de 3 a 5 dias. A transmissão pode ocorrer antes de aparecerem os sintomas. Ela se dá pelo contato direto com os animais ou com objetos contaminados e de pessoa para pessoa, por via aérea ou por meio de partículas de saliva e de secreções das vias respiratórias. Experiências recentes indicam que esse vírus não é tão agressivo quanto se imaginava.
Segundo a OMS e o CDC (Center for Deseases Control), um centro de controle de enfermidades, nos Estados Unidos, não há risco de esse vírus ser transmitido através da ingestão de carne de porco, porque ele será eliminado durante o cozimento em temperatura elevada (71º Celsius).

Sintomas
Os sintomas da gripe H1N1 são semelhantes aos causados pelos vírus de outras gripes. No entanto, requer cuidados especiais a pessoa que apresentar febre alta, acima de 38º, 39º, de início repentino, dor muscular, de cabeça, de garganta e nas articulações, irritação nos olhos, tosse, coriza, cansaço e inapetência. Em alguns casos, também podem ocorrer vômitos e diarreia.
Diagnóstico
Existem testes laboratoriais rápidos que revelam se a pessoa foi infectada por algum vírus da gripe. No caso do H1N1, como se trata de uma cepa nova, o resultado pode demorar mais tempo. No entanto, nos Estados Unidos, já foram desenvolvidos “kits” para diagnóstico, que aceleram o processo de identificação do H1N1.
Vacina
A vacina contra a influenza tipo A é feita com o vírus (H1N1) da doença inativo e fracionado. Os efeitos colaterais são insignificantes se comparados com os benefícios que pode trazer na prevenção de uma doença sujeita a complicações graves.
Existem duas vacinas que protegem contra a infecção pelo H1N1: a trivalente,  que imuniza contra dois vírus da influenza A e contra uma cepa do vírus da influenza B,  e a vacina tetravalente (ou quadrivalente) que, além desses vírus imuniza contra uma segunda cepa do vírus da influeza B, menos frequente no Brasil e que só deve ser usada a partir dos três anos de idade.
A vacina de Influenza trivalente de 2017 contém os seguintes vírus: Influenza A (H1N1), subtipo Michigan/45/2015, Influenza A (H3N2), subtipo Hong Kong/4801/2014, e o Influenza B, subtipo Brisbane/60/2008
Já a vacina de Influenza tetravalente contém, além dessas três cepas, o vírus Influenza B, subtipo Phuket/3073/2013.
Os dois tipos de vacina são eficazes, mas levam de duas a três semanas para fazer efeito. Embora não ofereçam 100% de proteção, estão perto disso.
Idosos acima de 60 anos, gestantes, pessoas com doenças crônicas não transmissíveis (hipertensão, diabetes, asma, bronquite, insuficiência renal, obesidade grau 3, por exemplo), imunossuprimidos e transplantados,  crianças entre seis meses e cinco anos, profissionais da saúde, professores do ensino básico e superior da rede publica e privada, população indígena, presidiários constituem o grupo prioritário para vacinação.
A vacina é contraindicada para as pessoas com alergia grave a ovo, pois pode conter ovoalbumina, uma proteína do ovo responsável por reações alérgicas. Isso acontece porque existe uma etapa, durante o processo de produção da vacina, que os vírus crescem em ovos de galinha.
Tratamento
É de extrema importância evitar a automedicação. O uso dos remédios sem orientação médica pode facilitar o aparecimento de cepas resistentes aos medicamentos. Os princípios ativos fosfato de oseltamivir e zanamivir, presentes em alguns antigripais (Tamiflu e Relenza) e já utilizados no tratamento da gripe aviária, têm-se mostrado eficazes contra o vírus H1N1, especialmente se ministrados nas primeiras 48 horas, que se seguem ao aparecimento dos sintomas.
Recomendações
Para proteger-se contra a infecção ou evitar a transmissão do vírus, o Center Deseases Control (CDC) recomenda:
* Lavar frequentemente as mãos com bastante água e sabão ou desinfetá-las com produtos à base de álcool;
* Jogar fora os lenços descartáveis usados para cobrir a boca e o nariz, ao tossir ou espirrar;
* Evitar aglomerações e o contato com pessoas doentes;
* Não levar as mãos aos olhos, boca ou nariz depois de ter tocado em objetos de uso coletivo;
* Não compartilhar copos, talheres ou objetos de uso pessoal;
* Suspender, na medida do possível, as viagens para os lugares onde haja casos da doença;
* Procurar assistência médica, se o doente pertence a um grupo de risco e se surgirem sintomas que possam ser confundidos com os da infecção pelo vírus H1N1 da influenza tipo A. Nos outros casos, permanecer em repouso e tomar bastante líquido para garantir a boa hidratação.
Diferença entre gripe e resfriado:


Dra Flávia Renata Topciu – CRM 121.925
Geriatra pela Sociedade Brasileira de Geriatria de Gerontologia

Especialista em Cuidados Paliativos pela Associação Médica Brasileira

segunda-feira, 3 de abril de 2017

ALERGIA ALIMENTAR



Uma pequena porcentagem de crianças apresenta alergia a determinados alimentos. Os principais são:
- leite (o mais comum)
- ovo
- peixe
- soja
- trigo
- amendoim e castanhas
- frutos do mar.
            Há diversos sintomas que podem aparecer nestes casos, como:
- cólica
- chiado
- tosse crônica
- infecções de ouvido (otite média)
- alergia de pele (urticária e dermatite atópica)
- anemia por deficiência de ferro
- sangue nas fezes
- constipação
- diarréia
- vômitos
- regurgitações frequentes.

            Após o diagnóstico da alergia, a conduta é retirar o alimento da dieta da criança, sob orientação do médico e do nutricionista, para que a dieta mantenha-se balanceada e com todos os nutrientes necessários à manutenção da saúde.
           
Importante também é conhecer os sinônimos destes alimentos e de suas fontes ocultas, para não haver ingestão acidental do alimento causador da alergia. Portanto, ler os rótulos das embalagens é fundamental.

No caso do leite de vaca, os termos relacionados encontrados em alguns rótulos são: caseína, caseinato, lactose, lactoglobulina, lactoalbumina, proteína hidrolisada, etc. E as fontes ocultas de leite são: balas, bolachas, cereais matinais, chocolates, manteiga, margarina, creme de leite, molhos cremosos, pães, purês e sopas.


Dra. Fernanda Formagio de Godoy Miguel
Pediatra pela SBP

CRM: 104.671           

terça-feira, 21 de março de 2017

VARIZES



Varizes são veias dilatadas, tortuosas e de calibre aumentado, que podem aparecer em diversas regiões do corpo. O mais comum é ocorrerem nos membros inferiores. Muito mais do que um problema estético, na verdade, elas indicam que algo não vai bem na circulação do sangue venoso pelo organismo.

Em sentido contrário ao da gravidade, as veias das pernas são responsáveis por levar o sangue que circulou pelo corpo de volta para o coração e dali para os pulmões, onde se dá a troca de gás carbônico por oxigênio. Para que possam exercer essa função, dentro delas existem pequenas válvulas que regulam o direcionamento do fluxo sanguíneo. Elas abrem para o sangue subir e fecham para impedir que desça, quando a pessoa fica em pé.

Sob determinadas condições, porém, essas válvulas se desgastam. Como não fecham mais direito, deixam escapar parte do sangue que deveria voltar para o coração. Desta maneira a pressão nas veias das pernas aumenta e elas dilatam e deformam por causa do sangue acumulado dentro delas.
Varizes constituem um problema crônico, que pode surgir em qualquer idade.
Fatores de risco que não podem ser mudados
Não temos como interferir em algumas condições que favorecem o aparecimento de varizes:
1.    Predisposição genética – pessoas com história familiar da doença devem preocupar-se com a prevenção dos problemas circulatórios desse cedo e adotar medidas que ajudem, pelo menos, a retardar o processo;
2.    Idade – à medida que as pessoas envelhecem, as veias vão perdendo a elasticidade e o sistema de válvulas enfraquece, o que dificulta o retorno do sangue venoso para o coração e os pulmões e favorece o aparecimento das deformações características das varizes;
3.    Sexo – as mulheres estão mais sujeitas a desenvolver varizes. Alterações hormonais durante a gravidez, menstruação e menopausa, assim como o uso de pílulas anticoncepcionais e a reposição hormonal são fatores de risco, porque os hormônios femininos, estrogênio e progesterona, agem sobre a parede dos vasos, diminuem sua resistência e comprometem o funcionamento das válvulas que regulam a passagem do sangue.




Fatores de risco que podem ser mudados
1.    Sedentarismo – a atividade física é fundamental na prevenção e tratamento das varizes. Praticar exercícios estimula o sistema circulatório como um todo e facilita o retorno do sangue para o coração;
2.    Imobilidade – quando, por exigência profissional ou nas viagens longas, por exemplo, a pessoa é obrigada a permanecer sentada ou em pé por muito tempo, na mesma posição, qualquer exercício que facilite a contração e relaxamento da panturrilha ajuda a bombear o sangue de volta para o coração. Um exemplo é a flexão dorsal do pé, que consiste em erguer os dedos dos pés, aproximando-os o mais possível da face anterior do tornozelo. O outro é tentar sempre caminhar alguns passos para estimular a musculatura da batata das pernas. Meias elásticas, desde que possuam a compressão adequada para o tipo de perna, também favorecem o bombeamento de sangue para o coração e colaboram para sua circulação no interior das veias;
3.    Obesidade – o sobrepeso e as complicações associadas (pressão alta e diabetes são duas delas) representam sobrecarga para o sistema circulatório e aumentam o risco de desenvolver varizes, uma vez que a gordura acumulada no abdômen faz subir a pressão sobre os vasos e dificulta o fluxo normal do sangue, que vai criando bolsões nas veias das pernas. Alimentação equilibrada e a prática regular de exercícios físicos são medidas fundamentais para diminuir o risco que o excesso de peso representa;
4.    Tabagismo – as substâncias que entram na composição do cigarro deixam o sangue mais viscoso, o que dificulta a circulação e favorece seu acúmulo nas veias das pernas. Largar o cigarro é uma medida de que não só as pernas, mas todo o organismo se beneficia;
5.    Salto alto – é um tema controverso. Alguns estudiosos do assunto garantem que não oferecem risco maior. O fato é que o uso rotineiro de saltos muito altos e finos pode manter a musculatura da perna por muito tempo contraída, obstáculo que torna mais difícil o retorno do sangue venoso e permite que parte dele fique retida nas veias das pernas e dos pés.

Prevenir o aparecimento de varizes exige mudanças permanentes no estilo de vida. O fato de já ter retirado uma veia doente não impede que as lesões apareçam em outra veia dos membros inferiores. Portanto, a recomendação é não desconsiderar os primeiros sinais da doença.

Dra Flávia Renata Topciu – CRM 121.925

Geriatra pela Sociedade Brasileira de Geriatria de Gerontologia

quarta-feira, 1 de março de 2017

Sinusite


A sinusite pode ser definida como uma inflamação da camada mucosa que reveste a cavidade nasal e os seios paranasais (“seios da face”), podendo ou não ter uma infecção associada. Em muitas vezes há também rinite acompanhando o quadro.
A classificação da sinusite é feita de acordo com a duração e frequência do processo:
  • Sinusite aguda: dura até 4 semanas. Na grande maioria dos casos, melhora com o tratamento clínico adequado, raramente necessitando de outros tratamentos.
  • Sinusite subaguda: é a continuação de uma sinusite aguda em que não houve a cura.
    Os sintomas se mantém após a 4ª semana, podendo durar até 12 semanas, mesmo que tenham sido tratados na fase aguda.
  • Sinusite recorrente: definida por 3 ou mais episódios de sinusite aguda em 1 ano.
  • Sinusite crônica: caracteriza-se pela persistência dos sinais e sintomas por mais de 12 semanas (3 meses). As alterações inflamatórias tornam-se persistentes, e quanto mais tempo estiver presente o processo infeccioso, maiores as possibilidades de que se tornem irreversíveis.
  • Sinusite complicada: inflamação que se estende além dos seios paranasais, podendo ocorrer uma complicação importante, como meningite.
Clinicamente, a sinusite pode aparecer com alguns destes sintomas: dor de cabeça, dor ou pressão na face, obstrução ou congestão nasal, secreção nasal, diminuição do olfato, febre, mau hálito e tosse.
O diagnóstico normalmente é clínico, ou seja, pelos sintomas. A importância do raio-X simples é controverso e discutível no diagnóstico, podendo ser solicitado quando existe dúvida. A tomografia computadorizada está indicada nas sinusites crônicas, recorrentes ou complicadas, ou quando há indicação cirúrgica.
São sinais de alerta para as complicações da sinusite: piora importante dos sintomas após 72h de uso de antibiótico adequado, surgimento de inchaço palpebral, dor de cabeça intensa com irritabilidade e alterações visuais.
Os fatores que predispõem sinusite são: resfriado, gripe, rinite alérgica ou não-alérgica, alterações estruturais do nariz e aumento de adenóides.
As sinusites virais, que apresentam sintomas leves e melhora espontânea, não necessitam de tratamento medicamentoso. Já as bacterianas, precisam de antibióticos.
O uso de soro fisiológico nasal pode auxiliar no tratamento da sinusite aguda ou crônica.

Dra. Fernanda Formagio de Godoy Miguel
Pediatra pela SBP
CRM: 104.671