quinta-feira, 1 de maio de 2014

Gripes e resfriados na infância

Resfriados são infecções das vias aéreas superiores (nariz, garganta e seios da face) e que eventualmente atingem também as inferiores (traquéia e brônquios). São causados por vários tipos de vírus, como o Rinovírus. O vírus chega ao nariz, provocando irritação e espirros, após leva a uma inflamação no local que causa obstrução (“nariz entupido”) e coriza (“nariz escorrendo”).Como sintomas gerais pode haver tosse, mal estar, dor no corpo, diminuição do apetite e às vezes febre baixa. Todos estes sintomas podem durar cerca de 2 a 7 dias, até que os mecanismos de defesa do nosso corpo destruam todos os vírus.

A diferença em relação à gripe é que esta é causada pelo vírus Influenza, que causa os mesmos sintomas mas com maior intensidade: febre mais alta (39°C), calafrios e dor de cabeça. E em alguns casos pode haver complicações, como infecções por bactérias – infecções de ouvido (otites), garganta (amigdalites) e pneumonias.

Uma criança entre 1 e 7 anos pode ter cerca de 6 a 8 resfriados em um ano. Conforme vai crescendo, este número diminui, com o aumento da resistência.

As crianças que são desnutridas ou que têm alguma doença crônica ou alergias respiratórias são mais susceptíveis às gripes e resfriados. O vírus é transmitido pelo ar, e para prevenir, algumas medidas podem ajudar:

  • manter o ambiente arejado;
  • evitar locais fechados e com muita gente;
  • lavar sempre as mãos;
  • exercício físico regular;
  • evitar stress;
  • alimentação  adequada e balanceada.

Além disso, há vacina contra o vírus da gripe, a partir dos 6 meses e que deve ser administrada especialmente em crianças com alergias respiratórias, doenças crônicas e crianças em instituições.

O tratamento das gripes e resfriados é feito apenas com sintomáticos, pois não há medicação específica. Deve-se tomar bastante líquidos, repousar e utilizar medicamentos para a dor e a febre.

No caso de dúvidas ou quadros mais complicados/graves, deve-se sempre procurar o médico!

Dra. Fernanda F. G. Miguel
CRM: 104.671
Pediatra

terça-feira, 1 de abril de 2014

Segurança e a criança


Prevenir é sempre o melhor remédio! Esta frase pode parecer um pouco antiga e repetitiva, mas a sua importância é grande demais para ser ignorada ou esquecida. E as “armadilhas” encontradas no dia-a-dia, são tantas, que em  cada fase do desenvolvimento da criança devemos nos preocupar com perigos diferentes.

Do recém-nascido até 4 meses de idade, as causas de acidentes mais comuns e suas formas de prevenção são as seguintes:

  1. asfixia (engasgo ou sufocamento): dar de mamar sempre com a criança no colo e nunca deitada sozinha para que ela não engasgue; ajustar os lençóis do berço para não haver risco de sufocamento; não deixar talco ao alcance das mãos da criança e nem próximo à sua cabeça para que ela não o aspire.
  2. queimaduras: verificar sempre a temperatura do banho e da mamadeira.
  3. quedas: não utilizar sapatos de salto alto ou escorregadios quando estiver com a criança no colo; utilizar sempre grades de proteção do berço.

Já dos 5 aos 12 meses são:

  1. aspiração de corpo estranho: nesta idade é necessária a supervisão constante de um adulto para impedir que a criança pegue pequenos objetos e os coloquem na boca. 
  2. intoxicações: nunca deixar produtos de limpeza ou medicamentos ao alcance das pequenas e rápidas mãozinhas.
  3. afogamentos: cobrir e cercar piscinas e mais uma vez manter a vigilância.
  4. queimaduras: não deixar cabos de panelas para fora do fogão e principalmente manter os pequenos engatinhadores longe da cozinha, colocando portas ou grades.
  5. choque elétrico: cobrir as tomadas que estão ao alcance da criança.

Entre 1 e 5 anos, além das causas acima, estão  inclusos os acidentes de trânsito, que se prolongam como causa até a idade adulta. Para evitá-los, lembrar de atravessar sempre na faixa de segurança, olhar para os lados ao atravessar e aguardar a abertura do farol de pedestres.

O uso de assentos específicos para o tamanho de cada criança merece uma explicação à parte:

  • cadeirinha: deve ser colocada no meio do banco traseiro, presa pelo cinto do carro. Usada de costas para o painel desde recém-nascido até 10kg, e de frente para o painel se a criança tiver entre 10 e 18kg (4 a 5 anos);
  • assento-elevador: colocado nas laterais do banco traseiro, para elevar  a criança e impedir que o cinto fique em seu pescoço.
  • cinto de segurança: sozinho, deve ser usado só quando a criança chegar a 1,45m de altura.
De 6 a 15 anos os acidentes esportivos são freqüentes, como queda de bicicleta, skate e patins. O uso de equipamentos de proteção auxilia bastante na prevenção deste tipo de acidente.

E finalmente, acima de 15 anos surge como causa de acidentes o uso de drogas lícitas (álcool) e ilícitas e de armas, cuja grande forma de prevenção é o diálogo, a informação e a educação.

Dra. Fernanda Formagio de Godoy Miguel
Pediatra
CRM:104.671

sábado, 1 de março de 2014

A visão e a criança

Os cuidados com a visão da criança,começam antes mesmo do seu nascimento. Por mais este motivo, o pré-natal é muito importante. Doenças como a toxoplasmose e a rubéola durante a gestação, se não diagnosticadas e tratadas, podem causar problemas de visão e até cegueira.

Os recém-nascidos enxergam tudo desde o princípio, mas de forma  pouco clara; a total visão do bebê se desenvolve com o tempo. Logo na maternidade é realizado um exame simples pelo Pediatra, que é o “Reflexo Vermelho”. Ele consiste na visualização do fundo do olho do bebê com uma luz; é considerado normal quando os dois olhos apresentam um reflexo vermelho brilhante. O exame é feito para descartar doenças como o retinoblastoma (câncer ocular) e a catarata congênita.

Após o nascimento, apesar do acompanhamento com o Pediatra, o exame rotineiro dos olhos no consultório do médico Oftalmologista é muito importante para a preservação de uma boa visão, e isso deve ocorrer em todas as idades. O primeiro exame oftalmológico deve ser realizado quando a criança tem uma idade de aproximadamente dois anos, caso não haja nenhum sinal de anormalidade, como diferença de cor entre os olhos do bebê, secreção, estrabismo ou persistência de lacrimejamento constante. Um bebê prematuro deve ser acompanhado desde os primeiros meses com o especialista.

Existem vários testes de visão que podem ser aplicados tanto em bebês quanto em crianças. O importante é os pais não adiarem a visita ao Oftalmologista, e não deixarem de repeti-la anualmente, pois uma criança que na idade pré-escolar tenha sido considerada como vendo bem, pode desenvolver posteriormente problemas de visão, como miopia, hipermetropia e astigmatismo, que necessitam de correção (uso de óculos).

Os pais e os professores devem estar sempre atentos durante o período em que as crianças aprendem a ler e a escrever. As dificuldades de aprendizagem podem ser um indício de que a criança enxerga mal.

Portanto, somente com o exame oftalmológico rotineiro, independente de idade ou presença de sintomas, poderemos preservar nossa tão valiosa visão por toda a vida.


Dra. Fernanda Formagio de Godoy Miguel
Pediatra

CRM: 104.671

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Meningite


Quando alguém ouve falar em meningite, logo vem a preocupação: uma doença muito grave!!!  Mas a maioria das pessoas não sabe exatamente o que é essa doença e que nem sempre ela é tão grave quanto se pensa.

A meningite é uma inflamação das meninges, ou seja, das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal (estrutura nervosa que fica dentro da coluna).

Uma das informações importantes sobre a meningite é que há diversas causas, tanto infecciosas como não-infecciosas:

  • infecciosas: causadas por bactérias (meningococo, pneumococo, hemófilo, etc.), vírus, fungos, parasitas (vermes) e outras (tuberculose).
  • não-infecciosas: tumores, traumas (sangramento intracraniano), doenças auto-imunes, intoxicações (por chumbo, mercúrio) e outras.

Os sinais e sintomas da meningite são bem variados e dependem muito da idade da criança. Em bebês há uma grande dificuldade no diagnóstico, pois pode haver somente achados mínimos; febre, vômito, irritabilidade e abaulamento da fontanela (moleira alta) podem aparecer ou não.

Nas crianças maiores também são indícios a febre, o vômito e a irritabilidade; além disso, dor de cabeça e/ou na nuca, dificuldade em dobrar o pescoço, convulsão, sensibilidade à luz e confusão mental. Pontinhos vermelhos na pele ocorrem principalmente em alguns casos de meningite meningocócica.

Quando há suspeita de meningite, o principal exame é a análise do líquido cefalorraquidiano ou líquor, que é o líquido que envolve a meninge. Ele é coletado por uma punção feita com agulha, na parte lombar da coluna, entre as vértebras. O líquor é enviado ao laboratório e por sua análise mostrará se há infecção e qual o tipo provável desta.

Após o diagnóstico, se for meningite causada por bactéria, o tratamento consistirá em antibióticos adequados. Caso o agente for um vírus, o tratamento é só de suporte, ou seja, monitorização clínica e uso de sintomáticos, a não ser que seja um caso mais grave, como o da meningite pelo herpes-vírus, que possui tratamento com medicação específica.

Normalmente, independente da causa, a criança deverá ser monitorada em hospital por pelo menos 48 a 72 horas, pois as complicações ocorrem neste período.

Nos casos em que o agente é menos agressivo e com o tratamento rápido e adequado, há uma boa evolução, sem problemas futuros para o desenvolvimento da criança.

É importante lembrar que a vacinação protege contra alguns vírus e bactérias causadores de meningite. Porém, não há vacina para todos os agentes e algumas vacinas não são aplicadas nos Postos de Saúde, e sim, somente em clínicas particulares. Além disso, a vacina não dá eficácia de 100% contra a meningite, mas diminui muito o risco e a gravidade da doença.

Dra. Fernanda Formagio de Godoy Miguel
Pediatra
CRM: 104.671

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Parotidite (Caxumba)



A parotidite, popularmente chamada de caxumba, é uma doença causada por um vírus, que atinge as parótidas: glândulas produtoras de saliva que ficam na face, abaixo e à frente das orelhas. Ocorre então o inchaço destas glândulas, dando aquela aparência de “bochechão”.

É mais comum em crianças, principalmente após os 2 anos de idade. A época do ano mais comum do seu aparecimento é entre o inverno e a primavera.

O vírus é transmitido pela via respiratória, pelo contato direto com a saliva e o espirro. A doença pode demorar até cerca de 15 dias para se manifestar. Clinicamente há aumento e dor na região da parótida, além de febre e pode ocorrer em um ou ambos os lados.

Normalmente o diagnóstico é feito pelo exame físico, mas quando há dúvidas, pode-se fazer exames de laboratório para a confirmação. A caxumba costuma ser uma doença benigna e que não tem tratamento específico: usa-se medicação para febre e dor, e recomenda-se o repouso.

Eventualmente pode haver algum tipo de complicação, que são raras na maioria dos casos, como:

  • orquite: dor e inflamação do(s) testículo(s); quando o vírus acomete os meninos, o repouso é fundamental para diminuir a dor e o inchaço, e para evitar lesão destes órgãos e a esterilidade.
  • ooforite: acometimento do(s) ovário(s); semelhante à orquite, porém em meninas.
  • pancreatite: quando há acometimento do pâncreas, causando dor abdominal e vômitos.
  • meningite: pode ocorrer quando o vírus acomete as meninges, causando dor de cabeça, vômitos e rigidez de nuca.

Para prevenir a caxumba, há vacina específica, dada de rotina  nos Postos de Saúde aos 12 meses, associada à de sarampo e rubéola – é a chamada Tríplice Viral. Há alguns anos o Ministério da Saúde acrescentou uma dose de reforço entre os 4 e 6 anos de idade.

Portanto, mais uma vez vemos a importância de seguir o calendário vacinal para todas as crianças.

Dra. Fernanda Formagio de Godoy Miguel
Pediatra
CRM: 104.671

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Teste do pezinho


O teste do pezinho é popularmente conhecido por este nome pelo fato de ser feito por uma picadinha no calcanhar do bebê. As gotas de sangue são colhidas num papel filtro e levadas para serem analisadas.

Ele é um exame laboratorial, chamado também de triagem neonatal, e que é de grande importância para detectar precocemente doenças metabólicas, genéticas e infecciosas que podem causar alterações no desenvolvimento neurológico e psicomotor do bebê. Desta forma, estas doenças poderão ser tratadas mesmo antes do aparecimento de seus sintomas.

Esse exame é realizado em grande parte das maternidades ou em laboratórios. É coletado após o bebê completar 48 horas de vida para que o teste não sofra influência do metabolismo da mãe. O ideal é que o teste seja feito até o sétimo dia de vida.

Existem diferentes tipos de exames do pezinho. O Sistema Único de Saúde (SUS) instituiu o Programa Nacional de Triagem Neonatal, onde cobre a identificação de até quatro doenças:
  • fenilcetonúria: é uma doença ocasionada por um erro no metabolismo de um aminoácido, acarretando o acúmulo da substância fenilalanina no sangue, causando retardo de desenvolvimento e convulsões; seu tratamento consiste em dieta adequada, sem a fenilalanina.
  • hipotireoidismo congênito: causado pela falta de produção de hormônio tireoideano, levando também a retardo mental se não tratado com o uso do hormônio.
  • anemia falciforme: causada pela formação de hemoglobinas anormais que são mais frágeis e rompem-se, causando anemia; podem também obstruir vasos sangüíneos, levando a infecções e dores no corpo. O controle desta doença deve ser feito por especialistas (Hematologistas), normalmente por toda a vida.
  • fibrose cística: doença hereditária que causa principalmente comprometimento pulmonar e do pâncreas, necessitando de diversos tratamentos.
Mas nem todos os Estados brasileiros realizam os quatro testes.
Hoje já existe uma versão ampliada do teste do pezinho onde é possível identificar mais de 30 doenças antes que seus sintomas se manifestem, mas é ainda um recurso sofisticado e bastante caro, não disponível na rede pública de saúde. E um resultado normal, mesmo no teste ampliado, não afasta a possibilidade de outras doenças neurológicas genéticas ou adquiridas

O exame convencional do pezinho é obrigatório por lei em todo o Brasil e gratuito, sendo um direito de todos. Não esqueça de buscar o resultado e levá-lo para o pediatra verificar.

Dra. Fernanda Formagio de Godoy Miguel
Pediatra
CRM: 104.671

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Rinite alérgica


A rinite alérgica é causada pela inflamação da mucosa nasal, ou seja, da sua camada interna. Isto ocorre após o contato com algum alérgeno:
  • ácaros da poeira doméstica;
  • animais, insetos;
  • pólens;
  • fungos;
  • fumaça de cigarro, de automóveis e de indústrias;
  • medicamentos.


Para considerar que uma criança tem rinite, ela deve apresentar pelo menos dois dos seguintes sintomas: rinorréia (“nariz escorrendo”), prurido nasal (“coceira no nariz”), obstrução nasal (“nariz entupido”) e espirros em salva (“espirros seguidos”).

A rinite alérgica está muito associada à sinusite, à asma e à conjuntivite.

O diagnóstico da doença é feito basicamente pela história do paciente, ou seja, pelos sintomas e pela presença de alergia (atopia) em familiares próximos.

Ao exame físico, um sinal sugestivo é a prega que se forma acima da ponta do nariz, devido à coceira frequente. Há respiração bucal devido à obstrução nasal. Pode haver lacrimejamento associado.

Alguns sinais de rinite podem ser vistos ao exame pela narina: a mucosa estará comumente pálida e inchada, que é o mais comum na rinite. Também pode haver secreção.

Existem exames laboratoriais, como a dosagem no sangue da chamada “imunoglobulina E” (IgE); porém, o seu aumento pode ocorrer em outras doenças além da rinite. Há também o teste cutâneo, no qual pode-se utilizar alguns alérgenos sobre a pele para descobrir qual é o desencadeante (ou os desencadeantes) da rinite. Este também não é muito fiel, pois se negativo, não exclui  a  doença.

Para o tratamento, existe hoje uma grande variedade de medicações, tanto orais como aplicações nasais e vacinas. Mas o mais importante é o controle ambiental: a retirada de todas as fontes de alérgenos, como: retirada de tapetes, carpetes, cortinas e bichos de pelúcia; afastar os fumantes; passar pano úmido diariamente na casa para retirar a poeira, sem usar produtos com cheiro forte; deixar bater sol na casa para evitar umidade; evitar que animais domésticos habitem dentro de casa, dando preferência por deixá-los no quintal.


Dra. Fernanda Formagio de Godoy Miguel
Pediatra


CRM: 104.671 

Fonte da imagem: childrenshospital (créditos e divulgação)